A DESCOBERTA E O DESENVOLVIMENTO DAS ESSÊNCIAS FLORAIS 

As essências florais foram descobertas na década de trinta pelo médico homeopata e bacteriologista inglês Dr. Edward Bach (1886 -1936), que descreveu 38 remédios feitos de flores e brotos, cada um deles para um padrão emocional ou uma personalidade típica, e ainda um remédio composto para situações de emergência psíquica (Edward Bach, Os Remédios Florais do Dr. Bach, 1931).

O Dr.Edward Bach, inicialmente, e seus seguidores em todo o mundo, acumularam ao longo dos anos um acervo muito grande de descrições de casos que comprovam os benefícios das essências florais em variadas condições do sofrimento humano.

O Dr. H. A W. Forbes, consultor da Organização Mundial De Saúde (OMS) para assuntos relacionados à medicina tradicional, declara em seu parecer sobre a terapia floral: “Os remédios florais parecem trabalhar segundo o mesmo princípio da homeopatia – eles transmitem um padrão de energia. Eu próprio, em minha prática médica, tenho usado as essências florais de maneira crescente durante os últimos 17 anos...”. (Bannerman et al., Traditional Medicine and Health Care Coverage, World Health Organization-WHO, 1983).

 Desde o surgimento da terapia floral, o uso das essências florais expandiu-se por todo o mundo. No Brasil as pesquisas pioneiras com flores brasileiras foram realizadas em Minas Gerais culminando com o desenvolvimento do Sistema Florais de Minas 1988 o qual adotou estritamente como base filosófica e metodológica os princípios elaborados por Dr. Edward Bach (Breno Marques da Silva e Ednamara Batista Vasconcelos e Marques, As Essências Florais de Minas – Síntese para uma medicina de almas, 1994).
 

A POSIÇÃO DA ANVISA -MINISTÉRIO DA SAÚDE DO BRASIL

No ofício MS/SVS/GABIN nº 479/98, datado de 23/10/1998, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) do Ministério da Saúde, assim se posiciona quanto à terapia floral: “Respondendo Ofício nº 01/98, referente às essências vibracionais, informo que as essências florais, tais como apresentadas pelos Sindicatos e Associações Produtoras, não constituem matéria submetida ao regime da vigilância sanitária, ao teor da Lei 6360, de 23/09/76 e seus regulamentos, não se tratando de medicamentos, drogas ou insumos farmacêuticos. Tal fato não exime, no entanto, a responsabilidade das empresas pela produção e comercialização dessas substâncias dentro dos padrões de qualidade adequados ao consumo da população. Neste sentido, na comercialização e venda destas substâncias, não podem ser apresentadas indicações terapêuticas com finalidades preventivas ou curativas, induzindo ao consumidor ao erro ou confusão. Ass. SVS.”

 

A POSIÇÃO DA ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE (OMS)

 Desde o ano de 1976, quando a medicina popular foi incorporada nos programas da OMS, o hiato entre os sistemas moderno e tradicional parece ter se estreitado em alguma extensão.

Um genuíno interesse em muitas práticas tradicionais agora existe entre os profissionais da medicina moderna e um número crescente de praticantes dos sistemas indígenas, tradicionais ou alternativos estão começando a aceitar e usar algumas das tecnologias modernas. Além disto, alguns administradores da saúde nos países em desenvolvimento têm recomendado a inclusão de terapeutas tradicionais (alternativos) no cuidado primário da saúde com base no fato de que tais profissionais estão inseridos nos fundamentos socioculturais do povo e que os mesmos são via-de-regra altamente respeitados e detentores de conhecimentos e experiência prática em seus trabalhos.

 Considerações econômicas, as distâncias a serem percorridas em alguns países, a força das crenças tradicionais, a indisponibilidade de profissionais de saúde, particularmente no interior e zonas rurais, fatores estes que em conjunto influenciaram esta recomendação. Um treinamento adequado e programas de orientação para práticos de saúde foram desenvolvidos em vários países.

Os estados membros da OMS estão atualmente engajados na preparação e implementação de estratégias que atinjam todos os povos as quais permitam que eles  levem uma vida social e economicamente produtiva. Para atingir esse objetivo, a OMS aconselha aos administradores de saúde dos países em desenvolvimento a considerarem e incluírem em seus programas e práticas de atendimento em saúde pública os vários tipos de profissionais populares de medicina. Esta recomendação foi endossada pela International Conference on Primary Health Care ocorrida em Alma-Ata em 1978.

 A Declaração de Alma-Ata que descreve os cuidados primários com a saúde refere-se explicitamente à necessidade de uma variedade de profissionais de saúde, incluindo práticos tradicionais de medicina complementar, os quais deveriam ser social e tecnicamente treinados para trabalhar em equipes de saúde pública e responder às necessidades expressas da comunidade.

Dentre as várias modalidades consideradas pelos grupos de estudos, particularmente com relação à terapia floral, a OMS assim se posicionou: “Cada remédio trata uma determinada pessoa e uma condição particular. O uso de todos estes remédios (essências florais) está amplamente distribuído pelo mundo em uma pequena escala. Eles são excelentes para o autocuidado, sendo totalmente sem efeitos colaterais e não oferecem perigo caso um remédio errado seja prescrito” ( H.A.W.Forbes, Selected Individual Therapies; em Bannerman et al., Traditional Medicine and Health Care Coverage, World Health Organization – WHO, 1983).

Estudos sobre a Terapia Floral

Uma coletânea contendo um grande número de estudos de casos tratados com florais e registrados no The Dr. Edward Bach Healing Centre foi publicada em 1971 (P.M.Chancellor, Manual Ilustrado dos Remédios Florais do Dr. Bach, 1971). No Brasil, outro conjunto de estudos de casos e depoimentos,envolvendo o uso dos Florais de Minas, foi também divulgado (Breno Marques e Ednamara Vasconcelos, As Essências Florais de Minas- casos clínicos e depoimentos- Vol.1,1995). Todavia, o trabalho sistemático e pioneiro de pesquisa em moldes acadêmicos iniciou-se na Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UNB), através do matemático e educador Almir Flores, com a dissertação de mestrado intitulada Rito -Communitas Pedagógicas. Neste trabalho, o pesquisador inseriu as essências florais numa ampla e revolucionária proposta metodológica e reiterou sua definição conceitual: de fato a essência floral não é um médico(a)mento mas sim um educo(a)mento. Os florais não deveriam ser instrumentos curativos empregados unicamente por médicos, mas principalmente por educadores ou curadores da alma. Concluiu o autor: “A utilização das essências florais em uma Rito-Communitas tem sua unidade de significado destacada na condução do sujeito, que delas se apropria, a exercer o papel filosófico-mítico-científico requerido do ser-no-mundo, gerando no ser individual/coletivo a construção do conhecimento de forma integrada. O facilitador dessa harmonização é a intencionalidade. Observar atentamente a descrição de um caso é perceber a ação integrada da essência floral no ser-que-é-sendo, no ser-que-conhece-conhecendo... expressando e dando forma às situações e emoções que são as características pessoais que dificultam o seu aprendizado maior no mundo...experienciando o fenômeno ...pesquisando, manipulando e formulando sobre o conhecimento adquirido...retornando à família, buscando também sua cura, é apropriar-se do que fora apreendido e atuar sobre o coletivo”.(Almir Flores,Rito-Communitas Pedagógicas,1997). Outro trabalho científico foi apresentado na Faculdade de Sociologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUC-SP) pela socióloga Fátima Perurema, através da tese de doutorado intitulada O Amor Fazendo Gênero. A autora analisa o contexto sociocultural dos terapeutas florais e de seus clientes e o papel do gênero feminino na germinação e propagação da terapia floral no Brasil, em especial, no Rio Grande do Sul. A pesquisadora insere a terapia floral dentro de uma corrente dinâmica de mudanças paradigmáticas, silenciosas, revolucionárias e transgressoras, conduzidas pelo feminino. A força geratriz e propulsora deste movimento teria seu núcleo arquetípico central situado nas camadas mais profundas do inconsciente coletivo, onde estaria armazenada a constelação psicológica do AMOR, o modo feminino de gerar, nutrir, proteger, curar, consolar, sentir e viver (Fátima Perurena, O Amor Fazendo Gênero, 1999). Com o advento pioneiro do curso de especialização em terapia floral conduzido através de um convênio entre a Faculdade de Ciências da Saúde do Instituto Brasileiro de Estudos Homeopáticos (IBEHE; São Paulo) e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), centenas de monografias, envolvendo o uso das essências florais em diversas áreas e com numerosas descrições de estudos de caso , foram publicadas, destacando-se dentre elas: (i) As Essências Florais como Suporte Terapêutico – Gastrites em Eqüinos (Bárbara Goloubeff, médica veterinária, 2000); (ii) Terapia Floral no Tratamento da Gagueira (Maria Cristina Santos, fonoaudióloga, 2000); (iii) Rescue Remedy aplicado na terapêutica odontológica (Aino K. Rueger, cirurgia-dentista, 1997; (iv) Florais de Bach e seus efeitos em sistemas biológicos simples (Maria de Lourdes Wiendl, farmacêutica, 1997); (vi) Terapia Floral: um método holístico no tratamento das dores (Marlene V. Simões, médica, 1997); (vii) O Uso do Fitofloral Hormina na Terapia de Reposição Hormonal (Rosa Maria Peres, terapeuta floral, 1997; (viii) A Terapia Floral, com o uso dos Florais de Minas associada ao Atendimento Psicopedagógico (Héllen A. Carvalho, terapeuta floral e psicopedagoga, 2002), (ix) O Uso das Essências Florais no Ambiente Empresarial (Maria Magdalena T. Boog, psicóloga, 1997); (x) A Atuação das Essências Florais no Tratamento do Estresse (Elisabete F.A. Aranha, terapeuta floral, 1997; (xi) O Uso da Arnica e Mimosa no Pré e Pós-Operatório na Blefaroplastia Estética (Maria Helena Santos, médica, 1997); (xii) A Terapia Floral no Orfanato (João Carlos Tyll, médico, 1997), (xiii)As Essências Florais de Bach como um recurso auxiliar no Tratamento do Medo Odontológico (Wilma Arruda Marcondes, odontóloga, 1997); (xiv) O Uso do Fitofloral de Minas – Ventilian – na rinite alérgica (Maria Cristina L. Souza, terapeuta floral, 1997; (xv)A Terapia Floral como Facilitadora no Processo de Aprendizagem (Márcia di Giovanni, pedagoga, 1997; (xvi) Cristalizações Sensíveis de Essências Florais (Beatriz R. Assumpção, ambientalista, 1997);(xvii) Avaliação Energética dos Fitoflorais – Victris-H e Victris-M em Seres Humanos através do Método Kirlian de Fotografia (Maria José Gonçalves, terapeuta floral, 1997). Pesquisadores do Institut fur Umweltmendizin und Krankenhushygiene Universitatsklinikum (Freiburg, Alemanha, 2001) estudaram a eficácia de uma combinação de essências florais de Bach no tratamento de pessoas portadoras de ansiedade mediante uma investigação randomizada, controlada por placebo, usando-se duplo cego, cruzamento de dados e grupos paralelos. A ansiedade foi monitorada empregando-se um questionário padronizado e validado para testes de ansiedade (uma versão germânica do TAI: Test Anxiety Inventory. Cinqüenta e cinco pessoas completaram o período de estudo e seus dados foram analisados e considerados válidos. Não houve diferenças significativas entre os grupos, porém observou-se um decréscimo marcante nos escores dos testes de ansiedade em todos os grupos. Os autores concluíram que embora diferenças estatisticamente significativas não tenham sido relatadas em comparação com o placebo, a mistura de essências florais mostrou-se marcadamente eficaz na redução da ansiedade, mesmo sem apresentar efeitos específicos (Walach et al., Journal of Anxiety Disorders, 2001). Um estudo comparativo entre o sistema floral de Bach e a homeopatia clássica, explorando suas semelhanças e

 

dissimilitudes, foi publicado por um pesquisador do The Royal London Homeopathic Hospital (Inglaterra, 1999). O autor concluiu que embora ambos os sistemas sejam claramente diferentes, alguns fundamentos comuns existem, e que ambos poder ter um papel complementar o qual talvez ainda não tenha sido reconhecido (van Haselen RA., British Homeopathy Journal, 1999). Em um trabalho de observação minuciosa de pacientes perioperatórios, J. Howard (Bach Centre, Oxon, Inglaterra, 1998) descreve detalhadamente os perfis psicológicos e emocionais de pacientes internados, relembrando as observações e relatos do Dr. Bach (Howard J., Complement Ther. Nurs. Midwifery, 1998). Neste mesmo sentido, F. Mantle observou que a administração em doses homeopáticas das essências florais, a ausência de efeitos colaterais e a não interferência sobre qualquer outra medicação fazem desta terapia (no caso, sob a forma manipulada sem conservante alcoólico) um auxiliar importante nos cuidados da enfermagem (Mantle F., Complem. Ther. Nurs. Midwifery, 1997). Em março de 2003, a médica pediatra e professora do Departamento de Medicina Social e Preventiva da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC), Zilda Ribeiro, apresentou uma dissertação de mestrado com os resultados de uma pesquisa científica sobre a terapia floral, desenvolvida na Universidade Federal de Santa Catarina. A pesquisa avaliou a possível contribuição da terapia floral, como prática complementar de saúde, na promoção de uma melhor qualidade de vida em pacientes com doenças crônicas. Tratou-se de um estudo de caso retrospectivo de abordagem qualitativa, baseado em registros de prontuários médicos. Os sujeitos da pesquisa foram crianças portadoras de asma brônquica, atendidas num programa que incorporou a terapia floral como prática complementar, durante um período de 3 anos. As essências florais empregadas no estudo foram obtidas dos Florais de Bach, de Minas, da Califórnia e da Austrália. Os resultados demonstraram a ocorrência de mudanças significativas no sentido de uma melhor qualidade de vida em saúde, de acordo com parâmetros qualitativos situados nos domínios: físico, psicológico e grau de dependência de medicamentos (Zilda Ribeiro, Qualidade de Vida em Saúde: Estudo de Caso com Uso da Terapia Floral para Crianças Portadoras de Doenças Crônicas Atendidas numa Unidade Básica de Saúde, 2003).

Adaptação do texto contido na Bula dos Fitoflorais produzidos pelos Florais de Minas.

 

 

 
 

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