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Uma doença chamada
GUERRA
- Uma abordagem holográfica -
Em
pleno ano de 2002, o mundo assiste a uma tragédia, através de um dos
piores ataques terroristas da história. A queda de um dos maiores
símbolos econômicos – o World Trade Center – fez o poderio americano
sentir desmoronar seu senso de identidade. A partir daí os americanos
iniciaram uma busca de extermínio para aqueles julgados causadores do
mal.
Em nossa história
não podemos esquecer das Cruzadas, a Inquisição, Hiroshima, Hitler, o
fascismo... É como se o mal encontrasse seu lugar de manifestação
através dessas “guerras santas” que nada mais é do que uma escolha do
próprio homem.
O lado primitivo,
animal e inferior são inerentes a qualquer ser humano, mas como tudo se
apresenta através da polaridade, se há a luz também tem que haver a
sombra, e quanto maior a luz maior esta sombra.
Explicando mais
claramente, somos seres humanos dotados de vários níveis de caráter, ora
para o lado do bem, ora para o lado do mal.
Nossa luz interior
ainda reflete uma sombra que não conseguimos enxergar. No momento de uma
decisão de guerra, ou de qualquer ato de violência, nações inteiras se
projetam com seu lado mais sombrio sobre aqueles chamados inimigos ou
“bode expiatórios”: os terroristas... Se não queremos identificar a
violência dentro de nós mesmos, ela automaticamente passa a ser
projetada em uma outra pessoa.
Nossa cultura faz
com que os criminosos, os terroristas carreguem a parte indigna e escura
e são expostos ao sacrifício.
A sociedade precisa
de bandidos para que alguém, que não nós sejam pegos. Quem vai querer
admitir suas próprias imperfeições? É mais fácil acusarmos o inimigo. E
de onde vem a causa do mal, senão de nós mesmos? Infelizmente, ainda
estamos muito longe da perfeição Divina.
“Quem realiza um
crime é acusado de homicídio, dois crimes, duplo homicídio, um crime em
massa dá-se o nome de guerra” Através deste ato inconsciente, o mundo
para e reflete sobre a existência do mal.
Esta
luta de poder é travada a todo o momento, dentro da própria família, do
ambiente de trabalho, nas escolas, enfim, em todo lugar onde interage
mais de uma pessoa. Sempre existe um “forte” tentando “matar” um mais
fraco. Esta morte, não no sentido propriamente dito da palavra, nem pode
acontecer, pois senão com quem é que vamos lutar?
Se não temos
adversário, também não seremos os vencedores. Podemos exterminar alguém
através de uma acusação, de um descaso, de uma alteração de voz, de uma
intenção negativa, de um preconceito, de um olhar. Atitudes essas, que
todos nós cometemos, sem se dar conta que estamos guerreando
energeticamente e com isso estamos colaborando para que o mal se
materialize.
Nossa
psique, comandada pelo ego, quer o poder de reinar sobre todo o sistema,
esteja ele em qualquer lugar onde atue nossa intenção.
O ego quer vencer a
todo o momento, ele não aceita derrotas, pois a perda expõe sua
fragilidade. Em certos momentos, perdemos o parâmetro de nossos limites,
esquecemos os reais valores da condição humana, regredimos a atitudes
animalescas de sobrevivência, onde a luta não pode ser filtrada pela
consciência, não existindo o mais importante atributo: a discriminação,
para o reconhecimento do próprio erro.
Na
mídia é colocada a frase: “Vamos lutar pela paz” Aí vem o paradoxo –
será que para se obter a paz precisamos de luta? O próprio homem
expressa seu conflito interno através das próprias palavras. O desejo
prevalece sobre a própria ação.
Neste
momento alguém pode estar revoltando-se contra a atitude de um governo,
de um líder religioso, de um terrorista, etc. Sem primeiramente
analisarmos a real emboscada que existe por trás de tudo, estas pessoas
se tornam mesmo culpadas. Todos nós estamos sujeitos à esta doença
chamada “Guerra”.
O mal que vemos ao
nosso redor não é nada mais, nada menos que uma conversão de uma guerra
pessoal interna, onde o ódio, o egoísmo, o orgulho, a crueldade, a
ignorância, a instabilidade e a ambição, doenças reais e básicas da
psique humana, como mata corroendo disfarçadamente dia-a-dia
manifestando-se através de doenças físicas, não haveria de contaminar
psicologicamente ocasionando intencionalmente uma guerra contra a
humanidade?
Se
pudéssemos olhar o mundo à distância, bem acima, no espaço, a nossa
impressão não seria das melhores. Talvez a visão seria de um amontoado
de células (pessoas) doentes (violência) fazendo parte de um núcleo (o
planeta Terra). A conclusão seria que, se cada célula estivesse
infectada, com certeza prejudicaria o todo (Universo). E que se estas
células se encontram contaminadas e se esta epidemia não for combatida
poderá se alastrar até destruir tudo. Enquanto cada pessoa (célula) não
cuidar de si mesma, este núcleo (planeta) estará com um vírus capaz de
destruir até mesmo o Universo.
A
maioria das pessoas não tem consciência da dor alheia, achando que o que
vem do outro não tem nada haver consigo mesmas. Lutam apenas para se
defender, ignorando uma situação só por existir à distância e esquecem
que estamos todos ligados inconscientemente a tudo o que acontece ao
nosso redor, como as células de um mesmo organismo. Enquanto não
aprendermos a conquistar a nossa paz interna, não adiantará pedir a paz
para o mundo.
Como nos ensinou
Jung, “se a pessoa deseja ter uma resposta para o problema do mal,
precisa de autoconhecimento, ou seja, do conhecimento de sua totalidade.
Precisa saber a fundo quanto bem pode fazer e quantos crimes é capaz de
cometer. Não deve encarar um como real e outro como ilusório, pois ambos
são elementos da sua natureza (...).
Que façamos a nossa
parte, nos curando deste mal, que acreditamos existir somente no outro!
Héllen
Carvalho - Terapeuta Floral. |